Procedimento técnico envolve testes rigorosos de hardware e sorteio de equipamentos para verificaçãoFoto: TRE/Divulgação/ND Mais
O TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina) deu início a uma etapa essencial do calendário eleitoral de 2026, no último sábado (19). A carga, teste e lacração de 18.935 urnas eletrônicas que atenderão as 17.326 seções de votação em todo o estado. O trabalho continua em andamento pelas 100 Zonas Eleitorais catarinenses até a próxima segunda-feira (28).
Conduzida de forma aberta, a preparação ocorre em audiências públicas com o acompanhamento de representantes partidários, da OAB, do Ministério Público e de cidadãos. Para enfatizar o caráter público do procedimento, seis magistrados da cúpula do tribunal se dividiram em comitivas entre os dias 21 e 22 para acompanhar presencialmente os trabalhos em dez municípios polo, incluindo Joinville, Florianópolis, Blumenau, Criciúma, Itajaí e Tubarão.
De acordo com o presidente da Corte eleitoral, desembargador Carlos Roberto da Silva, dar transparência às etapas técnicas é fundamental para blindar as eleições contra o clima de polarização.
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“Idealizamos para as Eleições 2026 a mensagem institucional ‘Diálogo e Paz’, partindo da premissa de que vivenciamos ambientes excessivamente belicosos recentemente. Dentro desse conceito, incorporamos a defesa intransigente da segurança do nosso processo eletrônico de votação. A Justiça Eleitoral não tem segredos; temos um processo seguro e essa preparação pública é a maior prova disso”, declarou o presidente.
O vice-presidente e corregedor do tribunal, desembargador Saul Steil, acompanhou as atividades no Sul do estado e ressaltou que a presença do público valida o resultado final: “A fidedignidade e a lisura do nosso trabalho estão na presença da sociedade. Esta etapa dá a garantia de que o eleitor votará com total liberdade e consciência”.
Presidente da Corte eleitoral acompanhou a preparação das urnas em BlumenauFoto: TRE-SC/Reprodução
Confira como está sendo a mobilização nas maiores comarcas do estado
- Joinville: Maior colégio eleitoral catarinense, o município prepara 1.409 urnas eletrônicas distribuídas por suas cinco Zonas Eleitorais. Os trabalhos concentram-se no Centreventos Cau Hansen até 26 de setembro.
- Florianópolis: A Capital conta com 1.271 equipamentos disponíveis. O processo das seções locais ocorre na estrutura da Casa da Urna, localizada em Biguaçu, onde a 12ª e a 13ª Zonas Eleitorais já concluíram o carregamento e a lacração de centenas de máquinas.
- Criciúma e Tubarão: No Sul, Criciúma mobiliza 636 urnas para suas três zonas, enquanto Tubarão configurou suas 524 máquinas em ato concentrado no centro da cidade.
- Blumenau e Itajaí: Blumenau contabiliza 794 urnas em fase de preparação no Fórum e estruturas parceiras, enquanto Itajaí soma 554 equipamentos preparados no Ginásio Gabriel João Collares.
- Outras regiões: A comitiva de desembargadores também inspecionou os trabalhos de preparação em Lages (598 urnas), Chapecó (557 urnas), São José (596 urnas) e Palhoça (467 urnas).
Joinville concentra 441.745 eleitores, segundo informações do Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizadas no mês de agostoFoto: Divulgação/CVJ/ND Mais
Como funciona a carga e a lacração das máquinas
Executada por servidores e uma força-tarefa de mais de 400 Técnicos de Apoio ao Voto Informatizado (TAVIs), a preparação de cada urna exige um protocolo rigoroso dividido em três passos principais:
- Inserção da mídia de carga: Após a varredura completa da memória do equipamento, a máquina recebe a mídia de carga, um dispositivo eletrônico removível (semelhante a um pen drive ou cartão de memória) responsável por gravar o sistema operacional de votação, a nominata completa dos candidatos e os dados dos eleitores específicos daquela seção. O procedimento leva cerca de seis minutos por unidade.
- Gravação das mídias de votação e resultado: Retirada a carga, são inseridos os dispositivos que armazenarão os votos computados no dia da eleição, acompanhados de uma mídia de backup para espelhamento dos dados.
- Autoteste e aplicação dos lacres: O sistema executa um autodiagnóstico checando o teclado, a tela e o sinal sonoro. Aprovada no teste, a máquina recebe nove lacres de alta segurança produzidos pela Casa da Moeda do Brasil — cinco no terminal do eleitor e quatro no terminal do mesário — para impedir qualquer violação física até a abertura das urnas no dia do pleito.
Em cada lote, a Justiça Eleitoral realiza ainda a amostragem conhecida como Verificação Pré e Pós Eleição (VPP), em que urnas sorteadas passam por uma simulação de votação real para atestar que o registro de votos e a contagem do sistema ocorrem com exatidão perfeita.
Urna eletrônica com as respectivas mídias de votação e de resultado, além dos lacres da Casa da MoedaFoto: TRE-SC/Reprodução

Maria Isabel Miranda Estagiária
Maria Isabel Miranda é jornalista em formação e escreve para o portal ND Mais, integrando a equipe da redação de Florianópolis. Produz conteúdos sobre os principais assuntos de Santa Catarina, como segurança pública, meio ambiente, economia e cidadania, contribuindo especialmente com as últimas notícias de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça. É estudante de Jornalismo na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e cursou Comunicação Audiovisual na Universidade de Valência, na Espanha. Atua profissionalmente desde 2024, com experiência em produção de conteúdo informativo para a Agência de Comunicação da UFSC. Também desenvolve trabalhos em fotografia, ampliando sua abordagem narrativa e contribuindo para uma atuação multimídia na comunicação. Atuou na cobertura das Eleições 2022, participando ativamente da apuração e divulgação de resultados das votações estaduais para a Rádio Ponto UFSC. Leia mais ▾
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