Lobos-marinhos representam a maioria dos registros, e pelo menos 10 animais mortos tinham sinais de mordidas de cãesFoto: Divulgação/Educamar/ND Mais
Um total de 165 ocorrências envolvendo pinípedes foi registrado pela Educamar – que promove ações de educação ambiental e o atendimento a encalhes de animais marinhos, entre o início de maio e 20 de agosto de 2026 no trecho monitorado pelo PMP-BP (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas), entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba.
Entre os animais registrados estão lobos-marinhos, leões-marinhos, elefantes-marinhos e uma foca-leopardo. Os lobos-marinhos representam a maioria das ocorrências, mas um dado chama atenção: entre os mais de 50 animais encontrados mortos, pelo menos 10 apresentavam ferimentos compatíveis com mordidas de cães.
Entre os animais registrados estão lobos-marinhos, leões-marinhos, elefantes-marinhos e uma foca-leopardoVídeo: Divulgação/Educamar/ND Mais
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Segundo a Educamar, os pinípedes costumam chegar à faixa de areia cansados e, em alguns casos, debilitados, justamente para descansar. Nessas condições, ficam vulneráveis a ataques.
Lobo-marinho-do-Sul lidera registros
O lobo-marinho-do-Sul (Arctocephalus australis) foi a espécie com maior número de ocorrências. Foram registrados 80 animais, sendo 31 encontrados vivos e 49 mortos.
Um dos dias que mais chamou atenção ocorreu em 17 de agosto, quando 12 animais foram encontrados sem vida e apenas três estavam vivos.
A Educamar explica que os sinais provocados por ataques de cães podem variar. Em alguns casos, são observadas grandes lacerações, principalmente na região do pescoço. Em outros, as marcas externas podem parecer pequenas, mas exames necroscópicos revelam hemorragias internas graves e até fraturas.
Pinípedes costumam chegar à faixa de areia cansados e, em alguns casos, debilitados, justamente para descansarFoto: Divulgação/Educamar/ND Mais
Outras espécies de lobos-marinhos também foram registradas
O segundo maior grupo foi formado por animais identificados apenas como Arctocephalus sp., com 73 ocorrências. Desse total, 69 estavam vivos e quatro foram encontrados mortos.
Já o lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) teve seis registros, sendo quatro animais vivos e dois mortos. Um dos indivíduos vivos, um juvenil, permanece em reabilitação na Unidade de Estabilização de Fauna Marinha da Udesc, em Laguna.
Também foram registrados dois elefantes-marinhos (Mirounga leonina), ambos vivos. Um deles é o mesmo animal observado na região no ano passado.
A lista inclui ainda três leões-marinhos-do-Sul (Otaria flavescens/byronia), dos quais apenas um estava vivo, e uma ocorrência considerada rara: uma foca-leopardo (Hydrurga leptonyx) avistada com vida.
Entre os mais de 50 animais encontrados mortos, pelo menos 10 apresentavam ferimentos compatíveis com mordidas de cãesFoto: Divulgação/Educamar/ND Mais
Maioria dos animais vivos permaneceu na praia
Nem todos os animais encontrados vivos precisaram ser resgatados. Muitos utilizavam a faixa de areia apenas para descansar e, para evitar estresse, permaneceram no local sem contenção ou marcação.
Por isso, a Educamar alerta que um mesmo animal pode ter sido contabilizado mais de uma vez durante o período de monitoramento.
Entre os animais vivos registrados, 13 foram encaminhados para tratamento na base, 16 receberam atendimento diretamente na praia, sete foram translocados e 73 permaneceram no local.
Lobo-marinho-do-Sul flagrado em Araranguá, Sul de SCVídeo: Gabriel Mendes/ND Mais
O que fazer ao encontrar um pinípede
A orientação é manter distância e evitar qualquer tentativa de interação com o animal. Cães e curiosos também devem ser afastados.
A Educamar recomenda:
- manter distância do animal;
- afastar cães e curiosos;
- não oferecer alimentos;
- não tentar devolver o animal ao mar.
Quem encontrar um pinípede entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba pode acionar a Educamar pelo telefone 0800 641 5665. A instituição reforça ainda que molestar animais silvestres é crime.
O PMP-BP é realizado como exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas.
Animal encontrado em encontrado em Balneário Arroio do Silva, no Sul de SCFoto: Divulgação/Educamar/ND Mais

Lutheska Fogaça Estagiária
Lutheska Fogaça é jornalista em formação, estudante do Centro Universitário UniSatc, e escreve para o portal ND Mais na redação de Criciúma. Cobrindo o que há de mais relevante para os moradores da região Sul de Santa Catarina, traz notícias sobre segurança pública, turismo, economia, saúde e cultura. Além disso, também se envolve na produção de reportagens aprofundadas que conectam informações e impacto social. Com passagens por redações locais, rádio e agência de comunicação, atua no jornalismo desde 2025 e foi finalista do Prêmio Acic de Jornalismo com uma reportagem sobre a história de mulheres na rizicultura de Meleiro, cidade no Sul catarinense. Atuou como repórter na cobertura das Eleições Municipais de 2024, realizando entradas ao vivo dos locais de votação para portais e rádios da região Sul de Santa Catarina. Leia mais ▾
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