Depois do sucesso com o Mounjaro, a Eli Lilly ampliou sua atuação no setor de saúde ao investir em pesquisas com substâncias psicodélicas da ayahuascaFoto: Reprodução/Guia da Farmácia/ND
A Eli Lilly, gigante farmacêutica responsável pelo Mounjaro, entrou na corrida pelos medicamentos psicodélicos após comprar a fabricante AtaiBeckley por R$ 15,1 bilhões, mirando lucro de mais de R$ 35 bilhões.
A aquisição coloca a ayahuasca no radar da empresa, que pesquisa substâncias capazes de alterar a percepção e o humor para desenvolver novos tratamentos de saúde mental.
Ayahuasca entra na mira da gigante do Mounjaro
A ayahuasca é uma bebida psicoativa amazônica utilizada há séculos por povos indígenas e religiões como o Santo Daime e a União do Vegetal em rituais de cura e expansão da consciência.
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A bebida é preparada a partir da combinação do cipó Banisteriopsis caapi, conhecido como mariri ou jagube, e das folhas da Psychotria viridis, chamada de chacrona.
A bebida amazônica é estudada pela ciência por sua relação com alterações de consciência e possíveis aplicações terapêuticasFoto: X/Reprodução/ND Mais
O interesse da indústria farmacêutica está ligado principalmente ao potencial de substâncias psicodélicas no tratamento de condições como depressão, ansiedade e dependência química.
Empresa busca nova geração de medicamentos
Com a compra da AtaiBeckley, a Eli Lilly passou a ter interesse em três produtos desenvolvidos pela companhia.
Um deles é um spray nasal para depressão resistente feito com uma substância psicodélica natural encontrada no veneno de um sapo e reconhecida como Terapia Inovadora pela FDA (agência reguladora dos Estados Unidos).
Formação detalhada dos cipós da ayahuascaFoto: Reprodução/ND Mais
Outro medicamento é uma película oral que dissolve na boca e utiliza uma substância alucinógena encontrada na ayahuasca. A empresa também acompanha um tratamento para fobia social que contém uma estrutura molecular encontrada no ecstasy.
Como a ayahuasca age no cérebro
A ayahuasca contém DMT (N,N-dimetiltriptamina), um composto alucinógeno potente presente principalmente nas folhas da chacrona.
A substância normalmente seria destruída pelo organismo, mas os alcaloides presentes no cipó mariri inibem uma enzima do estômago, permitindo que o DMT alcance o sistema nervoso central.
A ayahuasca faz parte de tradições indígenas e religiosas, mas também passou a ser investigada em estudos científicosFoto: Reprodução/ND Mais
Com isso, a bebida pode provocar alterações na percepção, na cognição e nas emoções, além de experiências com visões, introspecção e sensação de conexão espiritual.
Pesquisas científicas avaliam o potencial terapêutico da ayahuasca, especialmente em estudos relacionados à depressão, ansiedade e dependência química. O consumo, porém, ainda é associado a contextos religiosos e necessita de avaliação adequada devido aos seus efeitos.

Guilherme Xavier Repórter
Guilherme Xavier é repórter no Núcleo Nacional do portal ND Mais, onde acompanha assuntos de relevância no Brasil e no mundo, incluindo casos de segurança pública, destaques da economia e da saúde e outros temas. Estudante de Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, atua na área desde 2023 e tem experiência em redação multimídia e produção de conteúdo. Trabalhou em portal de notícias, televisão e setor público, participando da cobertura de eventos culturais. Monitora as atualizações do cenário político nacional e também participa da cobertura das Eleições 2026 pelo ND Mais. Leia mais ▾
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