A camareira Cintia de Andrade arruma quarto no Ribalta Hotel, na Barra da Tijuca; com a nova escala 5×2, ela conseguiu tempo para se matricular na autoescolaFoto: Hotelaria Ribalta/Divulgação
Enquanto o Brasil acompanha de perto os debates no Congresso sobre o fim da escala 6×1, no dia a dia de quem bate cartão a mudança já começou a virar realidade. É o caso de um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que decidiu dar mais tempo de descanso para os funcionários.
Essa virada na rotina foi o empurrãozinho que faltava para a camareira Cintia de Andrade tirar os sonhos da gaveta. Com a nova escala 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de folga), ela finalmente encontrou fôlego para olhar para si mesma.
“Acabei de fazer a minha matrícula na autoescola. Vou começar as aulas para aprender a dirigir, o que só foi possível por ter esse tempo a mais no dia a dia”, comemora Cintia. E ela não quer parar por aí: “Ainda tenho o sonho de cursar enfermagem e já estou vendo como conciliar isso na rotina”.
Ribalta Hotel detalha como a mudança da 6×1 funcionou na prática
A mudança aconteceu no Ribalta Hotel, que fica na Avenida das Américas. Por lá, cerca de 70% dos 97 colaboradores já estão trabalhando no novo formato.
A folga dupla chegou para todo mundo que atua na Governança (limpeza e arrumação), no Atendimento, no setor de Alimentos e Bebidas (A&B), além do pessoal do administrativo e do marketing.
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Hotel no Rio adota escala 5×2 para 70% dos funcionários – Ribalta Hotelaria/Divulgação
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Mudança atinge setores de Governança, Atendimento e A&B no Ribalta Hotel – Ribalta Hotelaria/Divulgação
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Hotel substitui parte da antiga escala 6×1 e modelo 12×36 – Ribalta Hotelaria/Divulgação
Antes de chegar a esse modelo, o hotel já vinha testando alternativas para fugir da antiga escala 6×1. Para quem cuida dos quartos, como as camareiras, o ritmo era pesado. Passar o dia limpando, arrumando e pegando peso por horas seguidas cobrava um preço alto da saúde física e mental.
A superintendente de operações do hotel, Neyre Freixo, conta que a transição foi muito bem recebida. “Para o serviço de camareira, a escala 5×2 tem sido um sucesso. Na Governança, ninguém quis sair e todas viram muito valor na mudança”, explica.
Diretoria admite que transição exige rever processos
Mudar a escala de um hotel inteiro não é simples. Setores como manutenção e parte da cozinha, por exemplo, ainda operam em regime de plantão (12×36) porque o serviço não pode parar. A diretoria assume que a transição exige rever processos, fazer contas complexas e reorganizar as equipes, mas garante que o esforço vale a pena.
Para a CEO do hotel, Giovanna Mauro, a conta fecha quando as pessoas se sentem valorizadas. Na hotelaria, o bom atendimento depende diretamente de quem está na linha de frente.
Hotel avalia que nova jornada melhora retenção de profissionaisFoto: Ribalta Hotelaria/Divulgação
“Acreditamos que um time mais descansado, equilibrado e valorizado consegue oferecer experiências melhores para hóspedes e clientes. É a construção de uma hotelaria mais humana”, defende Giovanna.
A estratégia também resolve uma das maiores dores de cabeça do setor de serviços: a alta rotatividade de funcionários. Quando a equipe gosta do ambiente de trabalho e tem qualidade de vida, ela fica na empresa. Isso reduz custos com demissões e contratações, permitindo que o hotel invista no próprio pessoal.
O termômetro da PEC 6×1 no país
O exemplo do hotel carioca ilustra bem o que está em jogo na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que quer acabar com a escala 6×1 em todo o Brasil. O projeto, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, agora segue para discussão no Senado Federal.
Se a lei for aprovada de vez, a mudança para o restante das empresas do país não será do dia para a noite. O texto prevê um período de adaptação: a jornada máxima cai primeiro para 42 horas semanais e, depois de um ano, chega ao limite de 40 horas.
