Integrantes da juventude do MST exibiram cartazes e faixas contra intervenções militares e comerciais dos EUA.Foto: MST/X/Reprodução/ND Mais
Durante a manhã desta quinta-feira (13), integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) picharam o muro do prédio da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, em protesto contra a guerra na Faixa de Gaza e o “ataque à soberania” da Venezuela. Segundo militantes do movimento, a ação integra o marco do ano centenário de Fidel Castro.
A intervenção contou também com a presença de pessoas vestidas de palhaço, além de um princípio de incêndio. O Movimento alega que a ação serve para se posicionar contra “a indústria da guerra e o imperialismo dos Estados Unidos”.
Os integrantes do ato vestiam roupas militares camufladas junto da cartola do personagem “Tio Sam”, com as cores e símbolos do país norte-americano. Uma frase foi exposta no muro: “Indústria da guerra dos EUA = mortes, fome e destruição da natureza”.
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Uma bandeira semelhante à dos Estados Unidos, com imagens de caveiras e bombas, foi estendida em frente à embaixada e, posteriormente, queimada no local. Em publicação nas redes sociais, o MST compartilhou imagens da ação, declarando: “Contra o imperialismo, juventude em luta pelo socialismo!”.
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“Dessa forma, os EUA são um dos maiores fornecedores de armas a Israel, que assassinou mais de 73.000 pessoas na Faixa de Gaza, na Palestina, onde pelo menos 21.000 eram crianças e mais de 173 mil pessoas ficaram feridas. A ganância do presidente Trump pelo poder imperialista também deixou 100 mortos no ataque contra a soberania da Venezuela, além de ceifar a vida de mais 3.500 pessoas no Irã”, afirmou o MST, em nota.
A pichação foi registrada na 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul do Plano Piloto de Brasília, que busca esclarecer quem participou da manifestação e quais foram as circunstâncias do princípio de incêndio. Cartazes e outros materiais utilizados no protesto foram recolhidos pela perícia. A Polícia Civil investiga o caso e tenta identificar os responsáveis.
A diplomacia norte-americana classificou as pichações como “atos de vandalismo inaceitáveis”. Segundo a embaixada, as atividades consulares seguem funcionando e funcionários da embaixada trabalham para apagar as pichações.
Protesto do MST ocorre em meio a sobretaxa comercial e impasse diplomático entre Brasil e EUA
O protesto ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e de agravamento das disputas no Oriente Médio. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em fevereiro e, apesar de um acordo de cessar-fogo firmado em junho, novos ataques foram registrados posteriormente. Restrições à navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo, também têm pressionado os preços dos combustíveis.
O clima de instabilidade ainda é alimentado por divergências econômicas e diplomáticas entre Brasília e Washington. Em julho, a gestão de Donald Trump (Republicanos) aplicou uma tarifa combinada de até 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, em meio a alegações de práticas comerciais desleais e outras medidas adotadas pelo governo norte-americano.
Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a OMC (Organização Mundial do Comércio) no final do mês. O governo Trump, no entanto, já sinalizou interesse em negociar os termos das tarifas com o Brasil.
A relação diplomática entre os dois países também enfrenta atritos após o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse provocado pela demora brasileira em aprovar a indicação do político republicano Daniel Perez, indicado para comandar a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O governo do presidente Lula, por sua vez, ainda não concedeu o agrément, autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma oficialmente o posto, além de ter criticado a divulgação pública da indicação de Perez antes da concessão desta autorização, aprofundando o desgaste entre as nações.
Com informações do Poder 360

Larissa Ferreira Estagiária
Larissa Ferreira é jornalista em formação e integra o Núcleo Nacional do portal ND Mais, atuando na cobertura diária de política, segurança pública, educação e os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Trabalha com comunicação desde 2025 e cursa Jornalismo na Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina). Com interesse especial por futebol, é autora do blog Legado Rodrigueano e já produziu reportagens e documentários universitários sobre Copa do Mundo, apostas esportivas e arbitragem brasileira. Também integrou a equipe de redação do 10º SLIJ (Seminário de Literatura Infantil e Juvenil). Leia mais ▾
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