Árvore mais antiga: Prometeu foi cortada em Nevada, nos Estados Unidos, em 1964. A contagem posterior de seus anéis revelou uma idade estimada em quase cinco milêniosFoto: Nazology/Reprodução/ND Mais
A Prometeu árvore mais antiga já datada em seu tempo não recebeu esse reconhecimento enquanto estava de pé. O pinheiro foi derrubado em 1964, em Nevada, nos Estados Unidos, e a análise feita depois do corte indicou uma idade próxima de 4.900 anos.
O caso mostra o valor de árvores muito antigas para a ciência. Seus anéis guardam marcas das condições de cada período de crescimento e podem ajudar pesquisadores a investigar o clima de milhares de anos atrás.
A contagem dos anéis da árvore mais antiga só veio depois do corte
A história de Prometeu foi retomada pela revista japonesa Nazology. A identificação científica original apareceu em um artigo publicado na revista Ecology, em 1965, assinado pelo pesquisador Donald R. Currey.
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O pinheiro foi derrubado em 1964, em Nevada, nos Estados Unidos, e a análise feita depois do corte indicou uma idade próxima de 4.900 anosFoto: Rick Goldwaser/Wikimedia/Reprodução/ND Mais
A árvore crescia em Wheeler Peak, dentro do atual Great Basin National Park, área montanhosa de Nevada. A contagem revelou 4.862 anéis e levou à estimativa de cerca de 4.900 anos, já que a espécie pode deixar de formar anéis em alguns anos de condições severas.
Currey tinha autorização do Serviço Florestal dos Estados Unidos para cortar a árvore, como registra o relato histórico do National Park Service. Mas a razão prática para a derrubada não está totalmente esclarecida: há versões de que a broca usada na coleta quebrou, era curta demais ou de que o pesquisador precisava de uma seção inteira do tronco.
Prometeu árvore mais antiga em sua época
Naquele momento, Prometeu passou a ser a árvore individual mais antiga cuja idade havia sido determinada cientificamente. Ela era um pinheiro bristlecone, hoje classificado como Pinus longaeva, espécie adaptada a regiões altas, secas e frias do oeste dos Estados Unidos.
Prometeu foi cortada em Nevada, nos Estados Unidos, em 1964. A contagem posterior de seus anéis revelou uma idade estimada em quase cinco milênios.Foto: Yen Chao/Wikimedia Commons/Reprodução/ND Mais
Essas árvores crescem devagar e produzem madeira resistente. Exemplares antigos podem manter estreitas faixas vivas de casca e madeira entre áreas mortas, uma característica ligada à sobrevivência por períodos muito longos. O Serviço Florestal dos Estados Unidos descreve a espécie como um dos pinheiros mais longevos conhecidos.
O funcionamento dessa sobrevivência não é simples. Estudos sustentam a existência de crescimento setorizado, em que danos podem ficar concentrados em partes da árvore, mas a explicação de uma ligação exclusiva entre cada raiz e um setor do tronco é tratada como hipótese em parte da literatura sobre os bristlecones.
Os anéis guardam pistas, mas exigem leitura cuidadosa
Os anéis de Pinus longaeva podem registrar variações de temperatura e chuva ao longo de milênios. Mas esse arquivo natural não traz uma resposta automática: um estudo sobre isótopos em anéis de bristlecone aponta que sinais de temperatura e umidade podem se misturar, dependendo do local onde a árvore cresce.
O que sobreu da Prometeus, árvore masi antiga encontradaFoto: James R BouldinWikimedia Commons/Reprodução/ND Mais
Prometeu também deixou de ocupar o recorde. Em 2012, pesquisadores dataram outro exemplar de Pinus longaeva, nas White Mountains, na Califórnia, em 5.065 anos.
No Brasil, a dendrocronologia também usa anéis de árvores para estudar o clima. Pesquisas com a araucária no Sul do país relacionam os anéis a variações ambientais, embora não haja registro de exemplar brasileiro com idade comparável à estimada para Prometeu.

Renato Becker Editor/Repórter
Renato Becker é repórter e editor no Núcleo Nacional do ND Mais, onde escreve matérias de serviço e explicativas sobre benefícios, direitos, mercado e assuntos que afetam a vida dos brasileiros. Seu trabalho se concentra na produção de notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial à política, à economia e aos negócios, além de temas de interesse público, trazendo informações claras, úteis e contextualizadas. Também participou da cobertura de casos de grande repercussão, tanto de segurança pública quanto de política. Atuando no jornalismo desde 2018, já trabalhou na assessoria de comunicação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e assinou a série “Meu Voto, Nosso Futuro”, dedicada a acompanhar as eleições no país. Trabalhou como repórter na cobertura das Eleições 2022 e como editor de Distribuição nas Eleições 2024. Leia mais ▾
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