O psicólogo João Giffoni organizou anotações feitas durante os sete meses em que esteve detido no DFFoto: Divulgação/Redes sociais/Amazon/Reprodução/ND Mais
O psicólogo João Giffoni, de 28 anos, reuniu em um livro sobre o 8 de janeiro os relatos e apontamentos que registrou durante os sete meses em que esteve preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Intitulada “Cruzando a Tempestade do 8 de janeiro”, a obra foi redigida em embalagens de suco e retalhos de papel recolhidos na unidade prisional.
Especialista em neuropsicologia, Giffoni relata ter prestado suporte voluntário de orientação emocional a cerca de 300 pessoas no cárcere, incluindo investigados pelos atos antidemocráticos e presos por outros crimes.
Segundo o autor, os fatos que viveu o lembraram da experiência do psiquiatra judeu Viktor Frankl, vítima do regime nazista na Segunda Guerra Mundial e autor do livro “Em Busca de Sentido: um psicólogo no campo de concentração”.
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“Busquei seguir os passos de Frankl para também encontrar sentido naquela situação, sobreviver e não enlouquecer”, disse o psicólogo.
Obra reúne documentos processuais, relatos sobre a rotina na Papuda e apontamentos do autor.Foto: Divulgação/Amazon/Reprodução/ND Mais
Preso no dia 8 de janeiro de 2023, o psicólogo afirma que participava da manifestação de forma pacífica e que foi conduzido por policiais sob a justificativa de segurança até a delegacia no subsolo do Congresso Nacional, onde recebeu voz de prisão. Julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), ele foi condenado a 14 anos de reclusão.
Em agosto de 2023, obteve liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica e foi condenado pelo STF à pena de 14 anos. Atualmente, o psicólogo reside na Argentina.
Estrutura da obra e registros sobre a rotina no Complexo da Papuda que estão no livro sobre o 8 de janeiro
O livro sobre o 8 de janeiro é dividido em quatro seções. A primeira reúne registros fotográficos, capturas de imagens e vídeos e documentos dos processos judiciais do dia das manifestações. Na segunda parte, o autor descreve a rotina no complexo prisional, detalhando aspectos como a superlotação de celas e a aplicação de suas dinâmicas voluntárias de apoio emocional com os detidos.
Registros do livro sobre o 8 de janeiro foram redigidos em embalagens de papel e retalhos guardados pelo autor na prisão.Foto: Arquivo pessoal/ João Giffoni/Reprodução/ND Mais
As etapas finais do texto abordam reflexões pessoais, preceitos da fé cristã do autor e reproduções de cartas trocadas entre os internos, relatando episódios de reconciliação, perdão, cura e transformação pessoal.
De acordo com Giffoni, o conteúdo busca apresentar estratégias de enfrentamento do sofrimento aplicáveis a diferentes contextos pessoais, independentemente de posicionamentos políticos.
“Minha experiência pode ajudar outras pessoas a cruzarem as tempestades da própria vida”, finaliza o psicólogo.
Com informações da Gazeta do Povo

Larissa Ferreira Estagiária
Larissa Ferreira é jornalista em formação e integra o Núcleo Nacional do portal ND Mais, atuando na cobertura diária de política, segurança pública, educação e os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Trabalha com comunicação desde 2025 e cursa Jornalismo na Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina). Com interesse especial por futebol, é autora do blog Legado Rodrigueano e já produziu reportagens e documentários universitários sobre Copa do Mundo, apostas esportivas e arbitragem brasileira. Também integrou a equipe de redação do 10º SLIJ (Seminário de Literatura Infantil e Juvenil). Leia mais ▾
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