O movimento foi descrito por Emmanuel Hermann, fundador do Leste Group, durante entrevista na estreia do canal ND+ Negócios&DinheiroFoto: Reprodução/YouTube/ND Mais
A combinação de déficit fiscal elevado, instabilidade da moeda e taxas de juros na casa de 14,5% ao ano tem impulsionado uma recomposição silenciosa nos portfólios de famílias brasileiras com maior patrimônio. A dolarização do patrimônio antes tratada como alternativa de proteção eventual, ganhou caráter estrutural nas carteiras de investidores de alta renda.
O movimento foi descrito por Emmanuel Hermann, fundador do Leste Group, durante entrevista ao canal ND+ Negócios&Dinheiro. Para o gestor, o atual nível de juros atrai capital no curto prazo, mas não é sustentável. “O governo não tem capacidade de manter inflação de 4% e juros de 14%, 15%, durante muito tempo”, afirmou. A leitura implícita é que, quando essa taxa convergir para um patamar mais baixo, a demanda por ativos em moeda estrangeira deve se intensificar.
No mercado de gestão de patrimônio, o conceito de dolarização patrimonial não se restringe à compra de dólares. Envolve alocação em fundos com exposição a ativos americanos, títulos de renda fixa no exterior, fundos imobiliários listados nos EUA e participações em empresas privadas estrangeiras. Essa diversificação, segundo especialistas do setor, reduz a correlação com o ciclo econômico doméstico e protege o poder de compra em cenários de desvalorização cambial.
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A trajetória recente do real reforça o argumento. Nos últimos dez anos, a moeda brasileira acumulou desvalorização significativa frente ao dólar, penalizando carteiras 100% expostas ao mercado doméstico. Para famílias com horizonte de longo prazo, a exposição cambial passou a ser tratada como uma classe de ativo em si, e não apenas como hedge pontual.
