Coerência, democracia e o valor das boas práticas na gestão públicaFoto: Reprodução/ND Mais
Eleitores e militantes, em qualquer campo político, costumam ter resistência a lideranças que mudam de posição de forma brusca. Na linguagem dura das redes sociais, muitos acabam rotulados como “traíras”. É um julgamento pesado, mas revela um sentimento comum no eleitorado: a cobrança por coerência.
Duplo desgaste
Na prática, a troca de campo político pode gerar um efeito duplo. O político corre o risco de perder parte dos eleitores que o apoiavam originalmente e, ao mesmo tempo, não conquistar plenamente a confiança do novo grupo ao qual passou a se aproximar.
Exemplos em vários campos
A política brasileira tem exemplos em diferentes direções. Alexandre Frota e Joice Hasselmann enfrentaram forte desgaste após rupturas com o campo que os elegeu. Aldo Rebelo, com longa trajetória na esquerda, passou a se posicionar mais próximo do centro-direita. Ciro Gomes, historicamente ligado ao campo da esquerda e ex-ministro do presidente Lula, hoje busca o governo do Ceará em aliança com o PL.
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Coerência será cobrada
Na próxima eleição, outros nomes também serão testados pelo eleitor, como Otoni de Paula, Soraya Thronicke e Zé Trovão, este último mais pelo desgaste provocado por críticas a lideranças do próprio partido do que por uma troca formal de campo. No fim, cada um terá o direito de explicar suas escolhas. E o eleitor terá o direito de julgar se enxerga nelas evolução política, conveniência ou incoerência.
Democracia exige a mesma régua
O debate sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 voltou ao centro das discussões políticas brasileiras. Independentemente das interpretações jurídicas e políticas sobre aquele episódio, um princípio deveria ser inegociável: a defesa da democracia precisa ser coerente e utilizar os mesmos critérios para situações semelhantes.
O silêncio também comunica
Recentemente, Peru e Colômbia viveram episódios de contestação eleitoral e convocação de manifestações por lideranças da esquerda após derrotas ou impasses políticos. Esses fatos suscitam uma pergunta direta: as forças políticas brasileiras que classificaram o 8 de janeiro como tentativa de golpe entendem que episódios semelhantes também merecem a mesma condenação?
Coerência não pode ser seletiva
O questionamento vale especialmente para quem ocupa posições de liderança nacional. Quem defende a democracia deve se manifestar sempre que princípios democráticos forem colocados em dúvida, independentemente de quem seja o protagonista dos acontecimentos. O silêncio pode ser politicamente conveniente, mas dificilmente fortalece o discurso da coerência.
A mesma régua para todos
Democracia não se protege apenas quando os fatos envolvem adversários. Ela se fortalece quando os mesmos princípios são aplicados aos aliados, aos opositores e a qualquer agente político. A credibilidade das lideranças depende justamente dessa capacidade de agir com a mesma régua para todos.
Jaraguá do Sul dá exemplo ao Brasil
Jaraguá do Sul alcançou índices que já superam, com ampla antecedência, as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do SaneamentoFoto: Reprodução/ND Mais
Enquanto grande parte dos municípios brasileiros ainda enfrenta dificuldades para universalizar o saneamento básico, Jaraguá do Sul segue na direção oposta. O município alcançou índices que já superam, com ampla antecedência, as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, tornando-se uma referência nacional em uma área diretamente ligada à saúde pública, à qualidade de vida e à preservação ambiental.
Resultados concretos
Os números demonstram esse avanço consistente. O abastecimento de água potável atende 96,9% da população. Na área urbana, a cobertura da rede de esgoto supera 90%, chegando a mais de 93% em diversas regiões da cidade. Outro dado importante é que todo o esgoto coletado passa por tratamento antes de ser devolvido ao meio ambiente.
Muito além da infraestrutura
Investir em saneamento básico significa reduzir doenças, preservar rios, melhorar a qualidade de vida da população e criar condições para um desenvolvimento urbano sustentável. Trata-se de uma das políticas públicas com maior retorno social e econômico, embora muitas vezes receba menos atenção do que deveria no debate público.
Um exemplo que merece ser seguido
O Brasil ainda está distante da universalização do saneamento, e Santa Catarina também possui desafios importantes nessa área. Por isso, experiências bem-sucedidas como a de Jaraguá do Sul merecem ser reconhecidas e servir de inspiração para outras cidades. Quando a gestão pública entrega resultados concretos, quem ganha é toda a sociedade.
