Fachada do TRE-PI (Tribunal Regional Eleitoral do Piauí)Foto: TRE-PI/Divulgação/ ND Mais
Os dados estatísticos oficiais do TRE-PI (Tribunal Regional Eleitoral do Piauí) mostram que o Piauí possui 2,7 milhões de cidadãos aptos a votar nas eleições de 2026 no estado, sendo que os maiores volumes estão concentrados em Teresina e Parnaíba. Além da capital e do litoral, os maiores colégios eleitorais do Piauí, apenas outras 14 cidades possuem mais de 30 mil eleitores; nos demais 208 municípios, o eleitorado não atinge essa marca.
As cidades do Piauí que concentram mais eleitores terão prioridade nas articulações dos blocos de oposição e da base governista, um para manter seus espaços, o outro para ampliar o número de votos. Como o bloco governista já possui um eleitorado consolidado nos municípios do interior do estado, sua estratégia deve se concentrar em conquistar os eleitores indecisos ou aqueles que tendem a votar em branco ou nulo nas eleições deste ano.
Por outro lado, a consolidação da oposição já se desenha nos centros urbanos como Teresina e Parnaíba. Este ano, o bloco deve focar esforços para manter esse eleitorado direcionado a poucas candidaturas, evitando a fragmentação de votos em diversas siglas, o que dividiria suas forças. Já nas cidades do interior, o objetivo da oposição será angariar novos votos para fazer frente ao bloco governista.
Teresina, capital do Piauí, é o maior colégio eleitoral do estado, concentrando um expressivo contingente de 592.642 pessoas aptas a votar nas eleições deste ano. Logo em seguida, como o segundo polo de maior peso eleitoral, aparece Parnaíba. O município litorâneo detém 118.080 votantes habilitados e atua como a grande força política da região Norte, sendo historicamente um território de disputas acirradas entre o governo e a oposição.
Fachada do Palácio da Cidade, sede do Poder Executivo Municipal de Teresina, no PiauíFoto: Secom/ Prefeitura de Teresina/Divulgação/ND Mais
Entre as cidades que possuem menos de cem mil eleitores, Picos posiciona-se como o terceiro maior colégio do estado, com 54.538 eleitores cadastrados. Logo atrás, Piripiri registra 53.290 cidadãos aptos a votar. Por fim, o município de Floriano fecha o ranking dos cinco maiores colégios eleitorais piauienses.
Juntas, essas cinco cidades somam a principal fatia de votos de opinião e de estruturas partidárias consolidadas: são 863.666 eleitores ao todo. É a partir desses municípios que os estrategistas de campanha desenham os mapas de viagem e as alianças locais, sabendo que o desempenho nesses centros urbanos dita o ritmo e a viabilidade das candidaturas ao Palácio de Karnak e ao Senado Federal.
Influência em municípios menores: a força política dos maiores colégios eleitorais do Piauí
A importância dos cinco maiores colégios eleitorais do Piauí vai além do número absoluto de eleitores; suas decisões políticas e lideranças influenciam diretamente o comportamento eleitoral das cidades ao redor.
Teresina é o epicentro político do estado. A capital tende a influenciar as articulações em municípios vizinhos da região metropolitana, como Altos, União, José de Freitas e Demerval Lobão. Por concentrar a maior massa de veículos de comunicação e redes sindicais, as ondas de “voto de opinião” que nascem na capital costumam moldar o discurso político de todo o entorno.
Já no litoral, Parnaíba aparece como a maior força do Norte piauiense e exerce forte influência comercial e política sobre municípios menores da região, como Luís Correia, Cajueiro da Praia e Ilha Grande. O termômetro partidário parnaibano costuma ditar o alinhamento das coalizões em toda a faixa litorânea.
Mais ao centro-sul, o município de Picos estende sua liderança política sobre dezenas de pequenas cidades adjacentes, a exemplo de Bocaina, Geminiano e Francisco Santos. O arranjo de alianças costurado pelas tradicionais famílias e grupos políticos locais funciona como uma espécie de “bússola” para os prefeitos da macrorregião.
Considerada uma das principais referências políticas para o norte do interior do Piauí, Piripiri influencia diretamente o eleitorado de municípios como Pedro II, Capitão de Campos e Brasileira. O dinamismo das lideranças piripirienses é peça-chave para garantir palanque fixo às chapas majoritárias nessa região.
Por fim, a cidade de Floriano é vista como a porta de entrada para a região Sul e o interior mais profundo do estado. Por conta dessa posição estratégica, os eleitores do município são considerados indicadores essenciais de desempenho para medir a aceitação das candidaturas do governo e da oposição.
Como votaram os municípios nas eleições de 2024?
Em Teresina, Silvio Mendes (União Brasil) foi eleito para um novo mandato com 52,19% dos votos válidos. A segunda colocação ficou com o deputado estadual Fábio Novo (PT), que liderou a coligação governista e alcançou 43,26% dos votos em uma disputa polarizada na capital. Nas cidades adjacentes, como no município de União, Gustavo Medeiros (União Brasil) foi reeleito com 68,03% dos votos, enquanto o segundo lugar foi ocupado por Ramiro Saraiva (PT), que fechou o pleito com 31,97%.
Urna eletrônica utilizada pelo TSEFoto: Luiz Roberto / TSE
Em Altos, Maxwell da Mariinha (MDB) também garantiu a reeleição com 72,89% dos votos. A oposição na cidade foi liderada por Warton Lacerda (PT), que terminou na segunda posição com 27,11%. Já em José de Freitas, Pedro Gomes (PT) foi eleito prefeito com 50,42% dos votos válidos, vencendo por uma margem estreita o segundo colocado, Dr. Dinan (MDB), que obteve 49,25% da preferência do eleitorado local. Fechando a região metropolitana, em Demerval Lobão, Junior Carvalho (PP) foi eleito com 77,45% dos votos válidos, retornando ao comando do Executivo municipal; o candidato Fernando Alves (MDB) ficou com a segunda colocação, somando 22,55%.
No litoral, Parnaíba, o segundo maior colégio eleitoral do Piauí e principal força política do Norte, elegeu Novo Francisco (Francisco Emanuel, do Progressistas) no primeiro turno, com 59,09% dos votos válidos, sob o apoio do prefeito Mão Santa. O principal bloco de oposição no município, encabeçado pelo deputado estadual Dr. Hélio (MDB), ficou em segundo lugar, contabilizando 30,14% dos votos.
Nas cidades vizinhas, o cenário também foi movimentado. Luís Correia confirmou a reeleição da prefeita Maninha Fontenele (PT) com 52,96% dos votos válidos, deixando a segunda colocação com Rafael Silva (PSD), que demonstrou forte competitividade ao alcançar 47,04%. Em Cajueiro da Praia, o prefeito Felipe Ribeiro (PT) assegurou sua reeleição com 66,23% dos votos válidos, seguido por Dr. Girvaldo (Solidariedade), que registrou 30,50% da votação. Já em Ilha Grande, Marina Brito (PP) venceu com 54,89% dos votos válidos, enquanto a segunda colocação na disputa ficou com Bernadete Leal (MDB), que obteve 45,11% nas urnas.
Mais ao Centro-Sul, em Picos, o deputado estadual Dr. Pablo Santos (MDB) foi eleito prefeito no primeiro turno com 53,81% dos votos válidos, desbancando o atual gestor Gil Paraibano (PP), que obteve 44,68%. Na região picoense, em Bocaina, Guilherme Macêdo (PT) venceu o pleito municipal com 57,25% dos votos válidos, superando Gilberto Filho (PSD), que ficou com 42,75%. No município de Geminiano, Jaillson Campos (PSD) foi eleito prefeito com 52,02% das urnas, enquanto o segundo colocado, Maninho da Coca (PT), alcançou 47,98%. Em Francisco Santos, Edson Carvalho (PSD) garantiu a sua eleição ao somar 54,89% dos votos válidos, deixando o candidato Didissa (PT) na segunda posição com 45,11%.
A caminho do norte do interior, em Piripiri, Jôve Oliveira (PT) foi reeleita com uma votação expressiva de 71,46% dos votos válidos; o segundo colocado foi o ex-prefeito Luiz Meneses (PSD), que obteve 27,15%. Já em Pedro II, Betinha Brandão (MDB) foi eleita com 50,67% dos votos válidos, vencendo por uma margem estreita o candidato Alvimar Júnior (PT), que ficou em segundo lugar com 49,33%. Em Capitão de Campos, Tim Medeiros (MDB) garantiu a sua eleição com 54,34% dos votos válidos, deixando a segunda colocação com Moisés Alcântara (PSD), que somou 45,66%. Por fim, em Brasileira, Ranieri Mazzille (PP) foi eleito prefeito com 58,74% das urnas, enquanto o segundo colocado na disputa, Junior Aguiar (PT), alcançou 41,26%.
Como importante termômetro do Sul do estado, Floriano elegeu Antônio Reis (PSD) no primeiro turno com 54,68% dos votos válidos (19.200 votos). O Dr. Marcus Vinicius (PT), candidato apoiado pela base governista estadual, terminou na segunda posição com 43,49% dos votos válidos (15.269 votos).
Ao observarmos as forças partidárias que saíram vitoriosas nos maiores colégios eleitorais do Piauí em 2024, fica evidente uma inclinação do eleitorado desses grandes centros urbanos a partidos de centro e de direita, redesenhando as estratégias das principais lideranças rumo aos próximos pleitos estaduais.
