Cesta básica subiu em todas as capitais no primeiro semestre, com alta da dupla preferida do brasileiro: o arroz com feijãoFoto: Pixabay
A cesta básica ficou mais cara em todas as capitais brasileiras no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento das famílias estão justamente o arroz e o feijão, dois símbolos da alimentação do brasileiro e presença constante na mesa de norte a sul do país.
A alta ocorre em um momento sensível para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição em outubro.
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Durante a campanha de 2022, Lula transformou a promessa da “picanha e cervejinha” em um dos principais símbolos da recuperação do poder de compra da população.
Mas, quase quatro anos depois, é o tradicional arroz com feijão que ganha protagonismo no debate econômico e pode influenciar a percepção do eleitor sobre o custo de vida.
Embora fatores como emprego, renda, programas sociais e a própria polarização política também influenciem a avaliação do governo, cientistas políticos ouvidos pelo ND Mais afirmam que a inflação dos alimentos tende a ter um peso relevante na opinião do eleitor por atingir diretamente o dia a dia das famílias.
Arroz e feijão, itens essenciais da cesta básica nacional, estão entre os alimentos que puxaram a alta da cesta básica nas capitais nos primeiros meses de 2026Foto: Pixabay/ND
Alta da cesta básica afeta percepção do eleitor
Na avaliação do cientista político da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luís Felipe Guedes da Graça, indicadores econômicos do cotidiano costumam produzir mais impacto sobre o eleitor do que dados macroeconômicos.
“As pessoas percebem [a inflação] pelo carrinho de compras”, afirmou Luís Felipe à reportagem. Segundo o analista, a população sente a economia principalmente durante as compras no supermercado, e não por meio de indicadores como Produto Interno Bruto (PIB) ou taxa de desemprego.
Para ele, quando produtos básicos passam a pesar mais no orçamento, essa percepção influencia a avaliação sobre o governo.
O professor ressalta, no entanto, que esse efeito não ocorre da mesma forma entre todos os eleitores. “Essa percepção do dia a dia é filtrada, sim, pela posição da pessoa nesse espectro ideológico, como se fosse um óculos que a pessoa usa para olhar o mundo”, explicou Luís Felipe.
De acordo com o cientista político, eleitores mais identificados com o governo Lula tendem a relativizar indicadores negativos, enquanto opositores mantêm avaliações desfavoráveis mesmo diante de cenários econômicos positivos.
Cesta básica teve alta nas capitais brasileiras, segundo DieeseFoto: Divulgação
Economia pesa, mas não decide eleição
Já o doutor em Sociologia e professor do Ibmec de Belo Horizonte, Lucas Azambuja afirma que o desempenho da economia historicamente exerce influência importante sobre disputas eleitorais, especialmente quando afeta diretamente o poder de compra da população.
Segundo ele, governos que disputam a reeleição costumam enfrentar maior desgaste quando alimentos e outros itens essenciais ficam mais caros, já que esses produtos representam parcela significativa do orçamento das famílias.
“A inflação de alimentos atinge a maior parte das pessoas porque a alimentação é o maior gasto da maior parte das famílias”, disse o professor do Ibmec.
Azambuja observa ainda que, em cenários como esse, a tendência é que parte do eleitorado responsabilize quem está no poder. Ainda assim, ele destaca que a economia não é o único fator capaz de determinar o resultado de uma eleição.
De acordo com o sociólogo, acontecimentos como crises políticas, escândalos de corrupção, conflitos internacionais ou outros eventos de grande repercussão podem alterar a agenda pública e reduzir o peso da inflação na decisão do voto.
Dieese aponta pressão de alimentos básicos
O levantamento do Dieese mostra que a cesta básica acumulou aumento nas 27 capitais brasileiras no primeiro semestre deste ano. Apenas em junho, os preços subiram em 17 capitais, enquanto houve queda em outras dez.
Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão arroz, feijão, carne bovina e leite, itens que fazem parte da alimentação cotidiana da maior parte das famílias brasileiras.
Para os analistas, justamente por estarem presentes diariamente na mesa do consumidor, esses produtos acabam tendo maior impacto na percepção da população sobre a economia do que indicadores técnicos divulgados pelo governo.

Tatiana Azevedo Repórter
Tatiana Azevedo é repórter do ND Mais em Brasília e, como parte do Núcleo Nacional, cobre o cenário político da capital federal. Acompanha de perto as principais pautas do Congresso Nacional, Executivo e Judiciário, com foco em decisões que impactam diretamente o país. Escreve matérias sobre os desdobramentos mais relevantes da política brasileira, traduzindo temas complexos de forma clara e precisa, em reportagens que conectam fatos, contexto e implicações à vida dos brasileiros. Também segue novidades envolvendo deputados federais, senadores, a presidência da República e outras figuras públicas. Jornalista formada em Comunicação Social com ênfase em Audiovisual pela UniverCidade, no Rio de Janeiro, tem ampla experiência em rádio, televisão e jornalismo digital, incluindo passagens por emissoras públicas e privadas. Atuou em assessoria de imprensa no setor público e em grandes instituições, o que lhe proporcionou visão aprofundada sobre processos legislativos, políticas públicas e bastidores de Brasília. Com vasta trajetória política, cobriu as Eleições 2002 pela Rádio Câmara e atuou no núcleo de rádio do TSE e na Rádio Justiça em 2010, além de anos de cobertura pela Rádio e TV Câmara. Leia mais ▾
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