Donald Trump compartilha artigo que aponta eleição brasileira como teste e fala da influência norte-americana Foto: Flickr/Withe House/Reprodução/ND Mais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou esta semana um artigo da emissora conservadora Newsmax que aponta a eleição no Brasil como um dos principais testes para o avanço da direita na América Latina.
O texto afirma que a disputa presidencial brasileira de outubro pode ser a mais importante do hemisfério e sugere que uma vitória conservadora mudaria o mapa político da região.
A publicação foi feita na última terça-feira (23), na Truth Social, rede bastante utilizada pelo presidente norte-americano. Trump reproduziu o título do artigo e não acrescentou comentários. O texto da Newsmax também levanta dúvidas sobre a confiança no sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar dados ou provas.
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O episódio envolvendo Donald Trump e as eleições ocorre em meio a atritos recentes entre os governos de Brasil e Estados Unidos.
Após um breve cumprimento entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a cúpula do G7, o norte-americano classificou o Brasil como um país “politicamente complicado” e, em entrevista ao site Axios, chamou Lula de “muito volátil”.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição em outubro Foto: Ricardo Stuckert / PRFoto: Ricardo Stuckert/ND Mais
A eleição no Brasil e a estratégia de Trump
Na avaliação do professor de Ciências Políticas do IBMEC, Adriano Cerqueira, o interesse do governo norte-americano pela eleição brasileira faz parte da estratégia geopolítica adotada por Trump no segundo mandato como líder dos Estados Unidos. Segundo o analista, as Américas, da “Groenlândia até a Patagônia”, estão no radar do presidente dos EUA.
“Desde que começou a gestão, todas as eleições que aconteceram aqui na região tiveram atenção especial da Administração Trump, e com exceção do Uruguai, todas foram favoráveis aos candidatos alinhados com o Oshito, mas à direita”, pontuou Cerqueira.
Ainda de acordo com o professor, o tamanho do Brasil e sua influência na América do Sul tornam a eleição presidencial brasileira um ponto de atenção para Washington.
“A lógica indica que a administração Trump vai estar sim preocupada com essas eleições e vai provavelmente tentar influenciar da forma que julgar adequada o processo eleitoral”, alertou o analista político.
O professor também avalia que pode haver uma atuação mais próxima dos Estados Unidos no pleito brasileiro, assim como já ocorreu em 2022.
Para Cerqueira, a relação de Trump com a família Bolsonaro também pesa, mas o apoio norte-americano não dependeria necessariamente de um nome específico da oposição. Para o professor, qualquer candidato de oposição ao governo atual no Brasil hoje terá o apoio de Donald Trump.
No encontro que teve com Trump na Casa Branca, Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido para não taxar empresas brasileirasFoto: Reprodução/ND Mais
Deputados divergem sobre risco de interferência
No Congresso, a publicação compartilhada por Trump também provocou reações distintas. Para o deputado Rogério Correia (PT-MG), o gesto do presidente dos Estados Unidos deve ser visto como um sinal de alerta.
“É um absurdo. Infelizmente Trump nao respeita a soberania dos países, faz intervenção política, sequestro de presidentes, e até guerras. Entao nós temos que nos preparar, porque essa tentativa de intervenção vai vir”, alertou o parlamentar mineiro.
O petista também criticou a postura de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação aos Estados Unidos.
“Os bolsonaristas sao adeptos da dependencia do país ao imperialimsmo americano e nao a soberania nacional. Todo cuidado é pouco”, alertou Correia sobre a tentativa dos EUA de influenciar as eleições presidenciais de outubro.
Já o deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) minimizou o impacto da publicação feita pelo presidente dos EUA. Para ele, Trump busca repercussão política, mas não deve interferir de fato no processo eleitoral brasileiro.
“Trump gosta do barulho”, disse Garcia, embora duvide que o líder norte-americano possa interferir “de verdade”no processo eleitoral brasileiro.
A movimentação mostra que a eleição no Brasil já passou a ser observada fora do país como parte da disputa política no continente.
Para aliados do governo Lula, o episódio reforça a necessidade de defesa da soberania nacional. Para parlamentares da oposição, a publicação tem mais peso simbólico do que efeito concreto sobre a corrida presidencial.
