Lula dá passo para enfrentar o endividamento das famílias. Ação governista ocorre a 9 dias das eleições.Foto: Ricardo Stuckert/ND Mais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma nova fase do programa de negociação da dívida dos brasileiros nesta sexta-feira (25).
Chamada de Desenrola 3, a iniciativa autoriza o Tesouro Nacional a comprar diretamente dívidas atrasadas de pessoas físicas com descontos (deságios) de até 90%.
Ação ocorre a 9 dias do 1° turno das eleições.
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Conforme anunciado pela equipe econômica de Lula nesta sexta-feira (25) em São Paulo, a medida busca destravar a situação de brasileiros com histórico prolongado de inadimplência e ocorre de forma coordenada com o veto às plataformas de apostas digitais, as chamadas bets.
Brasil tem mais de 70 milhões de devedores
A criação do Desenrola 3 responde a um diagnóstico da equipe econômica e de técnicos do Ministério da Fazenda sobre a persistência do endividamento no país.
Atualmente, o Brasil contabiliza 73,71 milhões de inadimplentes, e dados do Banco Central apontam que os débitos junto ao Sistema Financeiro Nacional consomem 28,9% da renda média acumulada das famílias.
Mesmo após o corte de mais de R$ 75 bilhões em dívidas nas duas primeiras edições do programa, o alívio financeiro foi neutralizado pela alta dos juros básicos e pela disparada nos gastos com apostas online.
Para o governo, as bets atuaram como um gatilho decisivo para a perda de controle orçamentário nos lares brasileiros.
Ao anunciar o Desenrola 3 simultaneamente à proibição das plataformas de apostas, o Palácio do Planalto executa uma ação em duas frentes: interrompe o canal que drenava a renda familiar e oferece uma saída emergencial para quem já perdeu a capacidade de pagamento.
Como funciona o Desenrola 3 na prática?
A principal mudança do Desenrola 3 está no papel do Estado. Em vez de apenas intermediar acordos entre consumidores e empresas, o poder público passa a absorver os débitos.
Segundo a proposta anunciada, o Tesouro Nacional adquire diretamente pacotes de dívidas antigas que bancos e empresas do comércio já haviam lançado como prejuízo em seus balanços.
Como o setor privado considerava esses valores perdidos e de difícil recuperação, aceita vendê-los ao governo por uma fração da quantia original.
Assim que a dívida é comprada pelo poder público, a restrição de crédito do cidadão é retirada dos cadastros de inadimplência.
Com o nome limpo, o consumidor passa a dever um valor reduzido diretamente ao Tesouro Nacional, contando com juros subsidiados e parcelas ajustadas à sua renda mensal familiar.
Nesta etapa, o Desenrola Brasil 3.0 concentra-se exclusivamente em dívidas contraídas junto a instituições financeiras em duas frentes principais: cartão de crédito — tanto na modalidade rotativa quanto na parcelada — e empréstimo pessoal sem consignação em folha de pagamento.
O público-alvo são pessoas físicas que possuem débitos em atraso pelo período de dois anos a quatro anos e meio.
O objetivo central da medida é conter o superendividamento e reduzir o comprometimento da renda de famílias que não conseguiram regularizar sua situação nas edições anteriores do programa.

Vinicios Souza Editor/Repórter
Vinicios Souza é editor e repórter no ND Mais, onde integra o Núcleo Nacional e escreve sobre fatos e assuntos de grande relevância e impacto na vida dos brasileiros. Produz matérias sobre política, Judiciário e transparência pública, além de acompanhar atentamente acontecimentos que repercutem no Brasil e no mundo. Formado pela Unesa (Universidade Estácio de Sá), atua no jornalismo desde 2017 e acumula experiência em portais digitais, veículos impressos e comunicação empresarial. Acompanhou de perto a imigração venezuelana em 2018 e suas implicações locais no Mato Grosso do Sul. É especializado em Jornalismo Político e Investigativo, possuindo conhecimento aprofundado no setor. Leia mais ▾
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