Suspeita é abordado por agentes da polícia no distrito de Kadıköy, em Istambul, Turquia; investigações apontam que ela viveu oito anos sob nova identidade após transiçãoFoto: hurriyet/Reprodução/ND Mais
A Polícia de Istambul, na Turquia, prendeu Tuğrul Başar no movimentado distrito de Kadıköy, após uma operação de monitoramento que durou oito anos. Na época, a suspeita era de ter se passado por funcionário público para cometer roubo e furtos, mas viveu escondido após uma transição de gênero.
A alteração física e social de Başar fez com que as fotos de busca antigas da polícia perdessem a utilidade. A investigada transitava pela cidade utilizando o documento de identidade oficial da própria irmã biológica para ultrapassar pontos de fiscalização e postos de segurança.
Como a polícia descobriu a identidade de foragida por roubo
A identificação ocorreu durante uma ação policial no local onde a foragida estava localizada, em Kadıköy, na Turquia. Sem conseguir confirmar a identidade apenas pela aparência física ou pelos documentos apresentados, os agentes realizaram a coleta de impressões digitais no local.
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O teste biométrico confirmou que a pessoa abordada era Tuğrul Başar. Após o flagrante, ela foi levado para a Delegacia do Píer de Kadıköy e transferida para o sistema prisional.
O que acontece agora após ficar foragida 8 anos por roubo
Além da pena original de três anos pelos furtos cometidos em 2010, Başar enfrentará um novo processo criminal instaurado pela polícia de Istambul.
Cartão de identidade oficial utilizado pela foragida por roubo durante os anos em fuga; suspeita usava os dados e documentos da própria irmã para burlar pontos de checagemFoto: hurriyet/Reprodução/ND Mais
Além de roubo, nova investigação apura os crimes de:
- Uso fraudulento de documentos de terceiros;
- Falsidade ideológica e adulteração de dados corporais/pessoais.
Se a Promotoria avançar com as acusações de falsificação e roubo de identidade, a pena total de reclusão poderá aumentar consideravelmente.
Motivo do encaminhamento para presídio masculino
Apesar de ter realizado a transição de gênero social e física ao longo dos oito anos em que esteve foragida, Başar nunca oficializou a alteração do nome ou do marcador de gênero no registro civil da Turquia.
Segundo o jornal local Karar, a legislação do Ministério da Justiça da Turquia determina que a alocação de prisioneiros no sistema carcerário seja feita estritamente com base no gênero constante no documento oficial de identidade (RG), e não pela aparência física ou autoidentificação.
Impressões digitais colhidas durante a ação policial em Istambul; análise biométrica foi decisiva para confirmar a identidade antiga da foragidaFoto: hurriyet/Reprodução/ND Mais
Como o processo judicial necessário para alterar o registro civil não foi realizado, Başar é classificada oficialmente como do sexo masculino e cumprirá a pena em uma penitenciária masculina.
A situação traz à tona a discussão sobre o tratamento de pessoas trans no sistema carcerário, a exemplo de outro caso recente em que uma mulher trans ficou em prisão domiciliar por ausência de estrutura prisional adequada em Santa Catarina.

Renato Becker Editor/Repórter
Renato Becker é repórter e editor no Núcleo Nacional do ND Mais, onde escreve matérias de serviço e explicativas sobre benefícios, direitos, mercado e assuntos que afetam a vida dos brasileiros. Seu trabalho se concentra na produção de notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial à política, à economia e aos negócios, além de temas de interesse público, trazendo informações claras, úteis e contextualizadas. Também participou da cobertura de casos de grande repercussão, tanto de segurança pública quanto de política. Atuando no jornalismo desde 2018, já trabalhou na assessoria de comunicação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e assinou a série “Meu Voto, Nosso Futuro”, dedicada a acompanhar as eleições no país. Trabalhou como repórter na cobertura das Eleições 2022 e como editor de Distribuição nas Eleições 2024. Leia mais ▾
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