Ponto crítico: Linha da Falha de San Andreas, que acumula o maior nível de pressão dos últimos 1.000 anos, segundo supercomputadoresFoto: Ian Kluft/UnsplashReprodução/ND Mas
Um novo estudo geológico acendeu o alerta máximo na costa oeste dos Estados Unidos. Cientistas descobriram que o sistema que conecta as falhas de San Andreas e San Jacinto, no sul da Califórnia, acumulou o maior nível de estresse tectônico dos últimos 1.000 anos.
A pesquisa, publicada no periódico especializado Journal of Geophysical Research: Solid Earth, sugere que a região está perigosamente próxima de um terremoto de grandes proporções — o temido “Big One”.
Liderado pela geofísica Liliane Burkhard (da Universidade de Berna e Universidade do Havaí), o estudo utilizou simulações avançadas de física computacional para mapear o comportamento histórico das placas tectônicas na região do Cajon Pass. Essa área funciona como um “portão de terremotos”, onde as duas gigantescas falhas quase se tocam.
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O perigo da ruptura dupla da falha de San Andreas e San Jacinto
Historicamente, os modelos sísmicos avaliavam o comportamento de San Andreas e San Jacinto de forma isolada. No entanto, os novos dados mostram que a barreira que impede uma ruptura conjunta está enfraquecida após um milênio de calmaria e acúmulo contínuo de energia.
Região do Cajon Pass, na Califórnia, onde as falhas de San Andreas e San Jacinto se conectam; novo estudo alerta para risco de ruptura dupla simultâneaFoto: : Burkhard et al., 2026. JCR Solid Earth/Reprodução/ND Mais
“O sistema está criticamente estressado”, alertaram os pesquisadores no relatório. “A energia acumulada no Cajon Pass atingiu um limite físico onde uma ruptura em uma das falhas pode facilmente saltar para a outra, desencadeando um efeito cascata catastrófico.”
Se ambas as falhas romperem simultaneamente, a magnitude do terremoto poderia superar com facilidade a marca de 7,5 ou até 8,0 na Escala Richter, gerando tremores destrutivos e duradouros que atingiriam diretamente grandes centros urbanos, incluindo a região metropolitana de Los Angeles.
O que mudou nos últimos 1.000 anos?
Para chegar a essa conclusão, a equipe de cientistas recriou o histórico de tensões da região ao longo do último milênio, cruzando dados geológicos locais com modelagem 3D.
Acúmulo invisível: Enquanto a superfície parece calma, o atrito profundo entre a Placa do Pacífico e a Placa Norte-Americana continuou a injetar energia nas rochas subterrâneas.
Frequência histórica: O intervalo médio entre grandes terremotos nessa seção da falha costuma ser de 150 a 200 anos. O último grande evento ocorreu em 1857 (o terremoto de Fort Tejon), o que significa que a região já está “atrasada” para um novo evento.
O fator Cajon Pass: O estudo provou que a geometria do local, antes vista como uma barreira que poderia frear um terremoto, agora atua como um acumulador de pressão pronto para ceder.
Impacto estrutural e preparação
Embora o estudo não consiga prever o dia exato ou a hora em que o terremoto irá acontecer, os resultados servem como um aviso urgente para que o governo da Califórnia e as autoridades de defesa civil acelerem os planos de contingência.
Falha de San Andreas e San Jacinto poderiam provocar megaterremotoFoto: Reprodução/ND mais
Cidades densamente povoadas vizinhas ao sistema de falhas enfrentam riscos severos de danos a infraestruturas vitais, como redes de água, eletricidade, gasodutos e rodovias que cruzam exatamente a zona de ruptura. Cientistas reforçam que a tecnologia de alerta precoce ShakeAlert, usada no estado, será crucial para dar segundos valiosos à população quando o inevitável acontecer.
