O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a imposição de novas tarifas sobre cerca de 4 mil produtos exportados pelo BrasilFoto: Getty Images/Reprodução/ND Mais
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode abrir um processo de desaceleração mais acentuada da economia brasileira, com reflexos sobre investimentos e empregos. Ainda assim, não há elementos suficientes para afirmar que o país esteja entrando em recessão.
A avaliação é do cientista político Elias Tavares. Segundo ele, o impacto inicial das tarifas deverá ficar concentrado nas atividades industriais e nas regiões mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano.
“O tarifaço pode representar o começo de um processo recessivo, mas ainda não é possível afirmar que o Brasil esteja entrando em recessão”, afirma.
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Tavares observa que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre e que as projeções ainda apontam para uma expansão próxima de 2% em 2026. O alerta, no entanto, está na combinação entre a nova barreira comercial, os juros elevados e a perda de força observada na indústria e no setor de serviços.
Tarifa de 25% ameaça exportações brasileiras
A sobretaxa atinge principalmente produtos industriais, como máquinas, móveis, madeira, calçados, vestuário e etanol. De acordo com a estimativa apresentada pelo cientista político, entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras podem ser comprometidos.
A redução das vendas aos Estados Unidos pode levar empresas a rever investimentos, diminuir a produção e cortar postos de trabalho. Os efeitos seriam mais intensos em municípios cuja economia depende diretamente das atividades atingidas.
“O impacto tende a ser inicialmente setorial e regional. Isso pode provocar redução de investimentos, demissões e uma espécie de recessão localizada nos municípios e setores mais dependentes do mercado norte-americano”, explica.
A análise indica, portanto, que o maior risco não está necessariamente em uma retração imediata de toda a economia, mas na formação de bolsões de crise em setores com menor capacidade de redirecionar seus produtos para outros mercados.
Eleições podem definir resposta econômica
Para Elias Tavares, as eleições também terão peso sobre os desdobramentos da crise comercial. O resultado das urnas poderá influenciar as expectativas de investidores, o câmbio e a disposição das empresas para manter ou ampliar projetos no país.
“O mercado não vota, mas reage ao resultado das urnas”, resume.
Na avaliação do cientista político, o próximo governo terá de apresentar respostas claras sobre responsabilidade fiscal, juros, política industrial, diversificação dos parceiros comerciais e relação diplomática com os Estados Unidos.
Uma eleição capaz de produzir previsibilidade poderá contribuir para recuperar a confiança e os investimentos. Em sentido contrário, uma campanha marcada apenas pela radicalização e pelo confronto poderá elevar a instabilidade e aprofundar os efeitos das tarifas.
“Uma crise comercial administrável pode se transformar em uma crise econômica mais profunda”, alerta Tavares.
Tarifaço será um teste de liderança
O cientista político considera que a sobretaxa norte-americana não deve ser tratada como causa isolada de uma eventual recessão. Para ele, a medida representa, sobretudo, um teste para a capacidade política e diplomática do Brasil.
O tamanho do prejuízo dependerá da habilidade do governo para negociar com os Estados Unidos, apoiar os setores atingidos sem ampliar o desequilíbrio fiscal e abrir novos mercados para os produtos brasileiros.
“Minha leitura é que o tarifaço funciona menos como a causa isolada de uma recessão e mais como um teste de liderança”, conclui Elias Tavares.

Joice Gonçalves Repórter
Joice Gonçalves é repórter do ND Mais em Brasília, de onde acompanha de perto as movimentações do Congresso Nacional, os bastidores dos Três Poderes e os rumos das Eleições 2026. Possui sólida experiência política, tendo acompanhado ativamente os pleitos eleitorais, tanto municipais quanto gerais, nas edições de 2018, 2020 e 2022. Além de escrever matérias sobre política, processo legislativo, sociedade e comportamento, produz conteúdos que explicam decisões do governo e seus impactos na vida do leitor. Formada em Comunicação pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), atua no jornalismo desde 2021 e tem experiência em grandes redações multimídia de TV e portais de notícia, com produção multiplataforma e projetos especiais que envolvem articulações políticas e o poder público. Leia mais ▾
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