Ministério Público aponta que publicação durante a Copa de 2026 pode configurar publicidade oculta e enganosa e pede indenização de R$ 120 milhõesFoto: Reprodução/Wikipedia/ND Mais
Uma publicação feita durante a Copa do Mundo levou o MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) a pedir, na quarta-feira (8), que a influenciadora Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze, empresa que tem Neymar como embaixador desde 2023, mas que não é citado na ação, sejam condenadas solidariamente ao pagamento de pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
A promotoria sustenta que a influenciadora ultrapassou a função de garota-propaganda e passou a integrar a estratégia de captação de novos apostadores.
Postagem de Virginia na Copa está no centro da ação do MP
Conforme informações do Metrópoles, o principal episódio citado pelo MP ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026.
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Conforme a ação, Virginia publicou stories incentivando seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina. Para a Promotoria, a publicação aparentava ser espontânea, mas teria sido realizada em parceria comercial com a Blaze.
Saiba por que post na Copa do Mundo fez MP pedir condenação de R$ 120 mi de Virginia e de empresa que tem Neymar como embaixadorFoto: Montagem feita com imagens das redes sociais e do MPDFT
Segundo o promotor Paulo Roberto Binicheski, Virginia teria atuado como o “braço operacional da captação”, transmitindo mensagens capazes de estimular consumidores a aderirem à plataforma de apostas.
Ainda de acordo com o MP, a recomendação feita pela influenciadora funcionaria como um “selo de aprovação”, ampliando o alcance da publicidade e o impacto sobre potenciais apostadores.
Entenda a ação do Ministério Público contra Virginia e casa de apostas
Além da indenização de R$ 120 milhões, a ação solicita uma tutela de urgência para retirada de conteúdos relacionados às apostas que prometam ganhos irreais, induzam consumidores ao erro, incentivem apostas em eventos esportivos específicos e utilizem publicidade disfarçada ou técnicas conhecidas como dark patterns.
O Ministério Público também busca impedir a repetição desse tipo de campanha e responsabilizar solidariamente a plataforma pelos supostos danos aos consumidores.
Publicidade e modelo de remuneração são questionados
Outro ponto destacado na ação envolve informações mencionadas pelo MP, com base em reportagens e investigações, de que Virginia receberia percentual sobre as perdas dos apostadores captados pela plataforma.
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Blaze e Virginia são acionadas pelo MP – Virginia/Instagram
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Entenda ação contra Virginia e Blaze – Virginia/Instagram
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Virginia enfrenta ação de R$ 120 mi – Instagram/Reprodução/ND Mais
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Saiba por que post na Copa do Mundo fez MP pedir condenação de R$ 120 mi de Virginia e de empresa que tem Neymar como embaixador – Montagem feita com imagens das redes sociais e do MPDFT
Na avaliação do promotor, esse formato criaria um conflito estrutural de interesses, já que o prejuízo financeiro do consumidor estaria diretamente relacionado ao ganho da influenciadora.
A Promotoria também afirma que a publicação investigada pode caracterizar publicidade oculta e publicidade enganosa, em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor e com normas do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).
Caso haja condenação, o Ministério Público pede que os recursos sejam destinados, preferencialmente, a programas sociais, educativos e de saúde mental voltados a consumidores e apostadores ou ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).
Próximos passos da ação
O processo será analisado pela 7ª Vara Cível de Brasília. A Justiça deverá decidir, inicialmente, sobre o pedido de tutela de urgência para remoção dos conteúdos e, posteriormente, julgar o mérito da ação civil pública.
Até o julgamento, o caso permanece em tramitação e poderá definir se houve ou não responsabilidade da influenciadora e da plataforma de apostas pelos fatos apontados pelo Ministério Público.

Filipe Melo Repórter
Filipe Melo é repórter do ND Mais, integrante do Núcleo Nacional, e escreve sobre o que há de mais importante no Brasil e no mundo. Formado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), atua profissionalmente desde 2023 e já contribuiu com grandes coberturas, como do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e da Operação Contenção, no Rio de Janeiro. Produz matérias de utilidade para o cotidiano dos leitores, envolvendo serviços, prazos, economia, política e segurança, unindo últimas notícias e informações qualificadas. Além disso, teve passagem pela Apufsc-Sindical, onde trabalhou na área de jornalismo educativo. Participou da cobertura das Eleições 2022 pelo TJ UFSC, acompanhando em tempo real a apuração dos votos e os resultados do pleito em Florianópolis. Leia mais ▾
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