Santa Catarina monitora tempestades em tempo real com tecnologia inédita no paísFoto: Thiago Kaue/Secom/GOVSC
Enquanto eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes no Brasil, Santa Catarina opera uma estrutura considerada única no país para monitoramento meteorológico em tempo real.
O Estado é o único a contar com uma Defesa Civil equipada com antena própria capaz de captar diretamente do espaço imagens de satélite utilizadas na previsão do tempo e na emissão de alertas à população.
Instalada na sede do Cigerd (Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres), em Florianópolis, a estrutura recebe dados do satélite GOES-19 sem depender de servidores externos ou conexão com a internet. Na prática, as imagens chegam em tempo real aos meteorologistas da Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil, permitindo acompanhar a formação de tempestades, frentes frias, rios atmosféricos e eventos severos com mais antecedência.
A antena foi implantada em 2018 e se tornou a primeira do tipo em operação no Brasil. Em 2025, a estrutura passou a operar com o sinal GRB (GOES Rebroadcast), tecnologia utilizada pelo GOES-19, considerado atualmente o satélite meteorológico mais avançado da série americana.
Santa Catarina opera uma estrutura considerada única no país para monitoramento meteorológico em tempo realFoto: Divulgação/Secom/GOVSC
O sistema funciona como uma espécie de “olho permanente” sobre a atmosfera. Posicionado a cerca de 35,8 mil quilômetros da Terra, o satélite registra continuamente imagens em 16 diferentes faixas de luz — do espectro visível ao infravermelho. Cada uma delas revela informações específicas da atmosfera, permitindo identificar umidade, temperatura das nuvens, formação de tempestades e até diferenciar neve de nuvem nas áreas mais altas do Planalto Catarinense.
Além disso, o equipamento monitora em tempo real descargas elétricas atmosféricas e consegue mapear a presença dos chamados rios atmosféricos — corredores de umidade responsáveis por alimentar grandes volumes de chuva, especialmente em períodos de El Niño.
A combinação das imagens em composições coloridas conhecidas como RGB permite que os meteorologistas identifiquem visualmente frentes frias, correntes de jato, áreas de instabilidade e tempestades com potencial de granizo antes mesmo que os radares detectem precipitação.
Essa antecipação passou a ser considerada estratégica em um Estado historicamente afetado por enchentes, enxurradas, deslizamentos e eventos climáticos extremos.
Rede integra radares, satélite e 172 estações de monitoramento
O monitoramento meteorológico de Santa Catarina funciona por meio de uma estrutura integrada espalhada por todas as regiões do estado. Além da recepção direta de imagens do GOES-19, a Defesa Civil opera uma rede própria de quatro radares meteorológicos e 172 estações hidrológicas e meteorológicas.
Estado é o único do Brasil com recepção direta de imagens de satélite pela Defesa Civil, permitindo previsões mais rápidas e alertas antecipados à populaçãoFoto: Divulgação/Secom/GOVSC
Os radares estão instalados em pontos considerados estratégicos para cobertura territorial e acompanhamento de sistemas meteorológicos. O primeiro entrou em operação em Lontras, no Vale do Itajaí, em 2014. Depois vieram Chapecó, no Oeste, em 2017; Araranguá, no Sul, em 2018; e Joinville, no Norte, em 2023.
Já as estações hidrológicas monitoram em tempo real o nível dos rios e o volume de chuva, enquanto as meteorológicas acompanham temperatura, umidade, pressão atmosférica, velocidade e direção do vento. Todos os equipamentos atualizam dados a cada 15 segundos e contam com câmeras e sistemas de alarme para reforçar a confiabilidade das informações.
Os dados gerados pela rede ficam disponíveis em tempo real na plataforma da Rede Integrada de Monitoramento da Defesa Civil de Santa Catarina e podem ser acessados tanto por pesquisadores quanto pela população.
Alertas chegam por SMS e direto na tela do celular
As informações captadas pelos satélites, radares e estações alimentam os sistemas de alerta utilizados pela Defesa Civil catarinense para avisar a população sobre riscos meteorológicos.
Atualmente, o Estado utiliza dois modelos principais de envio de alertas. O primeiro é o SMS 40199, em que o morador cadastra gratuitamente o CEP da localidade para receber mensagens de risco diretamente no celular. Santa Catarina possui hoje a maior proporção de população cadastrada do país nesse sistema.
O segundo modelo é o Defesa Civil Alerta, baseado em tecnologia Cell Broadcast. Nesse caso, não é necessário cadastro, aplicativo ou internet. Em situações de risco iminente, os celulares conectados às redes 4G ou 5G dentro da área afetada recebem automaticamente o aviso emergencial na tela do aparelho.
A combinação entre monitoramento em tempo real e sistemas de comunicação rápida passou a ser uma das principais estratégias da Defesa Civil catarinense para reduzir riscos e antecipar respostas em situações de emergência climática.
