Aulas sobre Inteligência Artificial já eram ministradas na UFSC há 40 anosFoto: Henrique Almeida/UFSC/Divulgação/ND Mais
A popularização das ferramentas de IA (Inteligência Artificial) tomou forma com intensidade recente, mas o tema já era pesquisado e aplicado em diferentes frentes desde o século passado. Nesta sexta-feira (15), a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) celebrou os 40 anos da primeira disciplina sobre a tecnologia na instituição.
A homenagem foi realizada no Auditório da Reitoria, no Campus Trindade, em Florianópolis, e relembrou a trajetória do professor aposentado Renato Antonio Rabuske, pioneiro responsável por ministrar a primeira aula da matéria em 1986.
Durante o encontro, o docente recordou que, à época de seus primeiros passos no magistério, o país contava com pouquíssimos profissionais com pós-graduação em Computação. Esse gargalo exigia que a instituição preparasse tanto a formação técnica dos alunos quanto a própria qualificação do futuro quadro de professores.
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Na década de 1980, o departamento passou por uma reestruturação de curso, momento em que Rabuske contou com o apoio de colegas para inovar na grade.
“Estávamos convictos de que o curso não produziria bons resultados sem um bom planejamento e um bom currículo. Pensávamos em algo capaz de ir além do preparo de mão de obra para o mercado de trabalho existente, propondo novos desafios e apontando novas possibilidades para a sociedade”, comentou.
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Renato Antonio Rabuske foi homenageado pela UFSC – Gustavo Diehl/UFSC/Divulgação/ND Mais
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Renato Antonio Rabuske falou sobre criação das aulas e inteligência artificial nos dias atuais – Gustavo Diehl/UFSC/Divulgação/ND Mais
Foi dessa discussão que nasceu a ideia de criar uma disciplina focada em IA. A decisão foi uma aposta de vanguarda, já que o tema enfrentava ceticismo no cenário acadêmico global e os recursos laboratoriais eram precários.
“Quando entrei, havia na Universidade uma máquina de 16K. Eu mesmo programei sistemas para ela, inclusive o sistema de matrícula, mas a capacidade era insuficiente para executá-lo. As coisas aconteciam de uma forma muito diferente naquela época”, relembrou.
Mesmo com limitações de verba, equipamentos e equipes de apoio, o professor vislumbrou oportunidades para a produção científica: “Mesmo dentro de nossa limitada realidade local, havia espaço e ferramentas para desenvolver sistemas especialistas. Incluir a inteligência artificial já representava um avanço importante”.
Apesar das barreiras de financiamento e do número reduzido de alunos interessados em formular teses e trabalhos de conclusão de curso na área, o projeto abriu caminho para as décadas seguintes.
“Nós, pioneiros, desbravamos e semeamos, mas a colheita costuma tardar e ficar para as gerações seguintes, como a nossa realidade atual comprova”, comentou.
Pioneirismo com aulas sobre inteligência artificial abre debates sobre ética e energia na UFSC
O evento de reconhecimento a Renato Rabuske e à sua esposa, a também professora aposentada da UFSC Márcia Aguiar Rabuske, foi organizado pela Prograd (Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica), integrando a conferência temática “A Inteligência Artificial no contexto universitário”.
A solenidade abriu uma rodada de debates institucionais na universidade e reuniu o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi, secretários, pró-reitores, professores, técnicos-administrativos e estudantes.
Márcia Aguiar Rabuske e Renato Antonio Rabuske foram homenageadas em evento que destacou aulas sobre inteligência artificialFoto: Gustavo Diehl/UFSC/Divulgação/ND Mais
Ao analisar o cenário atual das tecnologias generativas, Rabuske defendeu que a sociedade aproveite o potencial prático dessas ferramentas sem perder de vista seus riscos éticos e impactos sociais, lembrando que grandes saltos tecnológicos sempre trouxeram tensões em seus períodos iniciais.
Entre os desafios prioritários para os próximos anos, o professor destacou a sobrecarga energética gerada pela expansão dos centros de processamento de dados, os riscos de segurança cibernética e a necessidade de governança global.
“Para o bem e para o mal, esses sistemas de inteligência artificial estão sendo disponibilizados diretamente ao grande público, o que torna seus usos e impactos difíceis de prever”, concluiu.

Matheus Bastos Repórter
Matheus Bastos é estudante de Jornalismo na UFSC e, no ND Mais, escreve sobre assuntos de interesse público da vida do catarinense. Entre assuntos mais abordados estão o meio ambiente, segurança pública e a infraestrutura de Santa Catarina, com foco especial em Florianópolis e região. Foi premiado na Expojor UFSC, em trabalhos de áudio e jornalismo digital, e recebeu o Prêmio ACMP de Jornalismo, em 2025, com a reportagem “Corrupção de milhões: como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC”. Também atua na cobertura de destaques da política de Santa Catarina e integra a cobertura das Eleições 2026 no portal ND Mais. Leia mais ▾
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